O que as mulheres querem?

O que as mulheres querem?

No primeiro dia de Mãe At Work ficou claro que as mulheres estão determinadas a mudarem a realidade.
Ouvi certa vez uma coach dizer que devemos encarar os momentos de crise como um presente. Sem eles, tudo ficaria como está. É exatamente num momento de crise interna – quando a mãe passa pelo olho do furacão e se vê engolida com tantas demandas – sejam profissionais, domésticas ou em relação a criação dos filhos – é que ela percebe que precisa colocar a cabeça para fora e tentar respirar.

E aí começa um movimento interessante de mudança. Aquela mulher que ficava o dia inteiro no escritório, e nunca se questionava a respeito, percebe que dá pra ser diferente. A que ficava em casa com o filho o dia todo, sente a necessidade de exercer uma atividade que lhe traga algum respiro. E assim, vamos começando a repensar os modelos pré existentes. É preciso fazer uma escolha? Ou somos obrigadas a fazer uma escolha, já que os modelos vigentes de trabalho não permitem que façamos as duas coisas?

Muitas mulheres acabam se tornando empreendedoras, justamente porque é uma das poucas alternativas que viabiliza que trabalhem e se dediquem aos filhos.

Na página elencamos os comportamentos que estão norteando a maioria das nossas seguidoras.

Mudança de rota

Assim como a Mirhyam Conde, muitas acabaram ‘mudando a rota’ da vida, reinventando-se ou buscando uma outra profissão. Mirhyam, que era dentista e conseguia flexibilizar seu horário quando as crianças eram pequenas, percebia que acabava indicando mais o serviço de outros profissionais do que clinicando. E ficou frustrada com isso. Vendeu todo o consultório, equipamentos e ficou voltada à maternidade por 4 anos. Até que uma amiga a chamou para fazer um curso de massagem e ela iniciou um trabalho como terapeuta holística – se sentindo mais realizada do que quando trabalhava como dentista.
A importância do momento de crise para que ela se descobrisse depois da maternidade foi vital para seu próprio desenvolvimento.

‘Não quero culpar meu filho’

Muitas mães que optaram por ficar em casa estão se questionando se, no futuro, culparão seus filhos pela escolha que fizeram. Sentem-se confusas e angustiadas com a escolha, mas passam por um momento de transição onde reconhecem em si mesmas aquilo que as faz feliz.
Para a Cinthia Diniz, que saiu do trabalho quando o bebê tinha 5 meses, a coisa literalmente ‘pegou’ quando começou a deixá-lo na escola. Acabou fazendo a opção de tirá-lo da escola e, hoje sente necessidade de trabalhar, mas ainda não sabe como realizar as duas coisas.

Culpa, culpa e mais culpa

Algumas mães voltaram da licença maternidade direto para o trabalho e sofrem constantemente com isso. Horários inflexíveis, chefes que não dão suporte e não entendem que elas precisam da convivência com os filhos. Essa panela de pressão faz com que sintam-se culpadas por estarem longe dos filhos e insatisfeitas com o trabalho atual.

Pedir socorro num deserto

A Denise Oliveira descreveu bem a situação – seja da mulher que opta pela carreira, seja da mulher que opta pelo cuidado com os filhos “A sensação é a de pedir socorro num deserto”

‘Eu não tinha outra opção’

Muitas que voltaram ao trabalho em rotinas massacrantes alegam que não tinham outra opção. Algumas se lamentam pelo tempo que não passaram com os filhos e dizem que fariam diferente. Outras seguem frustradas.

‘Dou um tempo consciente de que vou voltar’

A Carla Ferraz contou que largou tudo para ficar com sua bebê, mas mesmo sentindo falta de trabalhar, sabe que a prioridade agora é sua filha. No futuro, volta a trabalhar e estudar. Esse ‘tempo consciente’ poupa as mulheres de conflitos maiores, já que entendem que embora tenham feito uma escolha, a outra opção também é válida e pode acontecer em seu devido tempo. Estabelecer prioridades de acordo com as demandas também é um excelente recurso.

Não estava no script compartilhar esse vídeo com a minha história. Na verdade, achei bem longo, porque contei em detalhes todo o caminho que trilhei até executar esse projeto. Mas, depois de ler tantos desabafos e questionamentos, resolvi compartilhar para que as mães não se sintam sozinhas em suas aflições. E entendam que, sim, todas passam por esses dilemas.

Cinthia Dalpino, jornalista – mãe da Eva e da Aurora

6 comments

  1. Nara says:

    É sempre muito acolhedor saber que muitas mulheres mães, em situações semelhantes, sofrem com os mesmos dilemas. E cansadas, esgotadas da maternagem e tantas outras pressões, às vezes não conseguimos vislumbrar o horizonte.
    Parabéns pela iniciativa, grata por compartilhar sua experiência. Que o mãe at work nos traga luzes inspiradoras. Conte comigo se precisar de colaboradoras. Abraços maternais

  2. Denise Mross says:

    Bárbaro. No Brasil se trabalha demais e nos tornamos pessoa super estressadas. Não só quem tem filhos sente que o trabalho toma conta da sua vida. Afinal de duas a três horas pra se arrumar e chegar no trabalho; nove horas, no mínimo, (se for uma de almoço) e mais duas horas de volta. Acabou o dia! Me encontro com o mesmo dilema seu. Quero criar minha filha e quero trabalhar.

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