A mãe sonhadora que mudou o esquema de trabalho da empresa pra ficar perto da filha

A mãe sonhadora que mudou o esquema de trabalho da empresa pra ficar perto da filha

Era uma vez uma mãe sonhadora. Seu nome: Renata Magliocca.

Mesmo antes da Nina nascer, ela tinha um desejo claro – não abriria mão da maternidade, nem da profissão. Um desafio nos dias de hoje. “Desde que fiquei grávida, eu já acreditava que seria importante – para mim e para a Nina – estar presente nesse nosso começo de vida juntas, mas tinha dúvida se o tempo da empresa mais as minhas férias eram o mesmo que o meu tempo interno”.

Foi preciso, então, alinhar as expectativas pessoais com as da DMRH/Cia de Talentos, consultoria onde trabalha. Renata sentou com a CEO e fez uma proposta de um modelo diferente do atual.

“Foram muitas as nossas conversas, a proposta foi e voltou algumas vezes, parecia muito difícil chegarmos a um consenso que equilibrasse as minhas necessidades com a nossa preocupação em sermos justas com todas as outras mulheres do time que não puderam ou poderiam viver aquele modelo que eu estava propondo. Eu queria sugerir algo que fosse além do meu próprio umbigo, meu maior desejo era trazer novas possibilidades que fossem além de mim, mas a minha situação era mesmo diferente”.

A diferença se dava porque seu vínculo era de prestadora de serviços e Renata liderava a área de inovação da empresa, o que a deixou com um grande desafio em mãos. “Eu poderia e deveria ser o maior exemplo de tudo aquilo que eu mesma vinha apontando como tendência do futuro do trabalho: times sem hierarquia e com maior autonomia, modelos de trabalho home office, equilíbrio entre vida pessoal e profissional, competência medida pela eficiência e impacto das suas entregas e não pela quantidade de horas ou pelo nome do cargo”.

E foi aos nove meses de gestação que teve uma grata surpresa – ouviu a sentença da Maíra, sua chefe:

Vamos fazer o seguinte? Vai viver o seu tempo de ser mãe. Estamos tentando planejar algo que você nunca viveu antes. Não sabemos que neném é esse que está por vir, não sabemos que mãe é essa que está para nascer. Quando a Nina estiver com 3 para 4 meses, a gente volta a se falar e você me conta o que permaneceu e o que mudou desse seu desejo.”

E assim foi. Nina nasceu e Renata mergulhou naquele novo universo.

“Às vezes, dava saudades, sim, da vida de antes. Uma vontade de voltar. Pra língua que sabia tão bem, para o cargo e reconhecimento que eu tinha conquistado, para o trabalho e empresa que eu tanto gostava. Mas sentia mesmo que não adiantava, se voltasse atrás não seria como antes. Eu já era outra”.

E quando Nina completou 3 meses, seu marido recebeu um convite profissional para passarem um período na Inglaterra.

“Foi esse convite que me fez pensar em como seria trabalhar à distância, o que eu conseguiria propor à Cia de Talentos para não perder o vínculo, mas também não deixar de ser clara e transparente com eles sobre meu desejo de ser dona da minha agenda para me tornar um profissional, sim, cada vez mais eficiente e também uma mãe cada vez mais presente. Tudo que eu não queria era carregar uma culpa por não ter visto minha filha crescer. Tudo que eu não queria era deitar a cabeça no travesseiro e ter a sensação de que a Cia de Talentos estava me fazendo um favor em topar aquela minha proposta de trabalho, eu queria manter a relação de ganha-ganha que sempre tivemos. “

O convite para a Inglaterra não deu certo, mas foi isso que deu coragem a ela de reunir as 3 sócias da empresa para propor sua saída do papel de liderança com um foco total nos projetos que tinham a ver com pesquisa e desenvolvimento de novos produtos e serviços e que poderiam ser gerenciados remotamente.

Então planejaram um retorno gradual das suas atividades e várias passagens de bastão e empoderamento do time.

“Eu ia duas a três vezes por semana para o escritório e não passava mais de 5 horas longe da Nina, para não prejudicar de forma alguma a amamentação. Nesse período, eu levava a bombinha de retirada do leite e garantia essas pequenas ausências. Quem ficava com a Nina nesses momentos era meu marido, minha sogra ou minha mãe que me ajudaram muito a fazer esse plano dar certo. Eu me adaptei à rotina de sono da Nina e produzia nesses intervalos como nunca. Quantas vezes me perguntei o que fazia com aquelas 12 ou 14 horas que trabalhava antes? Aonde eu estava antes que não conseguia tempo nem para ir ao parque em uma quarta-feira à tarde e agora, com um bebê, eu conseguia?”

Nesse período, seu marido viveu algumas decepções profissionais e tiveram que encontrar força e grana para ele tratar da depressão e desenhar um novo caminho para a sua carreira.

Não foi fácil.

“Chorei muitas vezes no banho, tinha receio de nada daquilo dar certo. Quantas vezes me perguntei se eu não era mesmo uma louca romântica que achava que era possível ser mãe da Nina e também ser uma profissional que ela pudesse admirar mais tarde. Lembro da Maíra ter me dito que eu era uma das pessoas mais corajosas que ela conhecia, que eu estava fazendo escolhas importantes, mas difíceis e diferentes daquelas que a empresa um dia sonhou para mim. Tive muito medo de não dar certo, mas parecia que eu não sabia fazer de outro jeito, aquelas escolhas não eram “só” para ver a Nina mais feliz, eram por mim, eram pela mãe que eu sabia ser”.

Em paralelo, ela percebia que sua mudança tinha mexido e transformado algumas estruturas. Familiares, amigos e dentro do próprio time de trabalho.

“De repente, a minha escolha virou uma missão, um propósito: construir e viver novos modelos de trabalho que possibilitam cada vez mais o equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Eu poderia ser a métrica, o resultado, o exemplo que tanto buscamos como consultoria quando queremos propor algo novo ao mercado de trabalho.”

E como desafio pouco é bobagem, quando a Nina estava completando 1 ano, seu marido foi aprovado no concurso para ser professor da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais). Teriam que sair de São Paulo, se afastar das avós que a ajudavam e, aquilo significava mudanças na vida do casal.

“A participação dele, do Vinícius, nos cuidados da Nina que, até então, era tão igualitária também reduziria já que ele estaria em um novo modelo de trabalho com dedicação integral. Quando contei para a Maíra da mudança de estado, ela me disse: “ainda bem que vivemos esse um ano de Nina e novo modelo de vínculo, né? Hoje, tenho certeza que vai dar certo. Você pode ir para a China que vamos juntas encontrar um jeito de fazer os nossos projetos acontecerem. Você é um exemplo que competência e autogestão não têm endereço e fuso horário. Quando a gente quer, a gente consegue.”.”

Hoje, Renata conta orgulhosa, a 600km de distância do escritório, que consegue equilibrar os pratinhos que pode.

“Vejo que essa sina de querer ser hoje melhor que ontem não significa manter tudo que eu tinha antes e também ser mãe da Nina. Perdi muita coisa com as minhas escolhas, inclusive noites de sono, aplausos e elogios, mas ganhei a certeza de que estou cada vez mais perto da Renata que sempre quis ser: uma Renata ponte quando o assunto é o outro, conectando pessoas e histórias. Uma Renata rio que quer ser cada vez mais largo e profundo quando o assunto é a minha própria história, o meu próprio curso”

E essa Renata, que hoje já faz parte do Mãe At Work, é a prova viva de que aquela mãe sonhadora que nasceu antes mesmo da Nina, podia realizar tudo aquilo que quisesse.

4 comments

  1. Maysa says:

    Tenho uma história muito parecida e profissionalmente falando, a maternidade SÓ me fez bem! A gente tem que sair da zona de conforto, lutar para conseguir um modelo que concilie tudo. Não é fácil, mas com certeza esse caminho é o mais justo conosco, com a família, com o trabalho :)

  2. Mara says:

    Estou exatamente no mesmo momento.Ensaiando o que dizer para a empresa na qual trabalho. Muito obrigada por contar sua história, agregou muito pra mom, ainda tenho um pouco de medo…

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