Em tempos de bloqueio de whatsapp: Quais distrações tomam seu tempo?

Em tempos de bloqueio de whatsapp: Quais distrações tomam seu tempo?

Faz uns dias que me comprometi a aumentar minha produtividade.
Não que eu seja uma pessoa organizada. Pelo contrário. Eu era daquelas que fazia dez coisas ao mesmo tempo e me orgulhava. E além de ficar com a cabeça sempre cheia e ocupada, demorava o dobro do tempo em cada atividade. E me sentia cada vez pior comigo mesma.

Então, seguindo vários mentores de várias áreas, resolvi juntar tudo e fazer meu próprio método. Se funcionava pra tanta gente, quem sabe comigo ia dar certo.

A primeira coisa foi eliminar as distrações.
Silenciar o whatsapp e eliminar todos os apps e redes sociais do celular não foi tão fácil. Me senti deslocada do mundo. Só que era necessário para que eu tivesse mais concentração. E hoje eu nem sei como conseguia conviver com tanta bagunça eletrônica.

Antes eu era daquelas que acordava, pegava o celular, ia no banheiro, escovava os dentes, passava arrumando a casa e catando as coisas pelo caminho pra levar na máquina de lavar enquanto respondia e-mails. E enquanto coava o café, ia passando a timeline e deixando a tapioca queimar na frigideira.
Antes do café da manhã já tinha tido umas cinco frustrações por causa do excesso de coisas que pensava ter que fazer, e mal conseguia me concentrar no que era urgente ou que podia ficar pra mais tarde.

A ideia era eliminar o que sugava meu tempo e minha energia.
Então, a decisão inicial era fazer uma lista de coisas que precisavam ser feitas diariamente, as tarefas semanais e as que tinham prazos.
Com elas bem delimitadas, encontrar blocos de tempo dentro da semana para cada uma. Isso incluia rever hábitos e incorporar novos hábitos na minha rotina.

Na primeira manhã sem Whatsapp, Facebook, internet até meio dia, tive um faniquito ao ouvir o alarme de e-mails chegando. As mensagens no celular e no inbox. E meu dedo coçava pra não responder.
Só que antes da hora do almoço já tinha terminado as tarefas profissionais do dia e percebi que era urgente adotar aquelas medidas. Mas ainda não tinha respondido e-mails.

Lembrei da frase do Maurício Sampaio, coach de carreira, contando que eu precisava determinar a minha rotina e minha agenda a partir das minhas prioridades e não da dos outros. Se eu ficasse respondendo cada mensagem de cada pessoa que me escrevia eu ia me tornar escrava da agenda dos outros. E ficaria apagando incêndios sem cumprir aquilo que eu precisava fazer.

Só que para uma mãe, os incêndios tem nome e sobrenome. E fazer blocos de tempo acabou se tornando um desafio ainda maior. Tinha que dividir o tempo que queria me dedicar á elas. O tempo pro trabalho, o tempo pra minha saúde, o tempo pro meu lazer, pra casa, pra mercado. Enfim. A lista era grande e o tempo parecia curto.

Nessa altura do campeonato eu já tinha feito o detox de agenda que a Carol Nalon tinha me ensinado a tempos atrás. Não acessava notícias da internet, sem critério, nem via televisão, ou navegava sem destino pelas notícias. Minha mente já tava preparada para ir mais fundo.
E o resultado não poderia ter sido melhor.
Em uma semana eu tinha eliminado dezenas de tarefas das pendências, adiantado tantas outras – e estava diante da minha filha mais velha, no momento que eu tinha separado para não fazer nada. Era a hora do ócio.

A mais nova estava dormindo, e a mais velha pediu pra ver um desenho. Liguei a TV pra ela, peguei um livro pra mim, deitei e comecei a ler.
Aí bateu aquela culpa. Pronto.
“Nossa. Que mãe horrível. Eu estou aqui sem trabalhar e sem fazer nada, lendo um livro enquanto minha filha está na TV”.

Fui até ela, me sentindo uma bosta e contei que já tinha trabalhado o suficiente, perguntando se ela queria fazer alguma coisa. Para minha surpresa, ela respondeu em tom consolador:

“Se você quiser, eu brinco com você mãe”.

Game over pra mim. Eu não tinha entendido nada. Claro que ela tava feliz ali sozinha com o desenho dela. E não tinha problema nenhum eu curtir um momento lendo um livro sem ter obrigatoriamente que estar ‘fazendo alguma coisa’.
O bichinho da produtividade tinha me picado. E eu não conseguia ficar parada sem fazer nada.

Entendi o quão importante era aquele momento. Fechei o livro. Fechei os olhos.
A mais nova acordou. Fim do ócio.

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