Damiana: a mãe que investiu no mercado de festas para não entrar em depressão

Damiana: a mãe que investiu no mercado de festas para não entrar em depressão

Quem vê a Damiana hoje, apostando tudo para que sua nova empreitada dê certo, não imagina os bastidores da vida dessa mãe. A estrada foi longa até chegar onde está. Prestes a colocar seu novo projeto no ar, e em busca de parcerias, ela teve que lutar pra não entrar em depressão. Saiu do trabalho pra cuidar da filha que não se adaptava na creche, viu seu marido perder o emprego logo depois e o pai, bi amputado, precisar de cuidados especiais e hemodiálise.
Sua vida que já estava de cabeça pra baixo virou uma loucura. E, sem cabeça pra pensar em novos negócios, foi desencorajada a ir adiante.

“No meio de tudo isso busquei forças para não cair na depressão (mas confesso que o ultimo ano foi o pior da minha vida). Quase cai em depressão, mas amo tanto a minha filha, minha familia, meu pai que precisa de mim, que busquei forças para não sucumbir.”

Desde cedo, ela sempre teve disposição de sobra pra fazer acontecer. De origem humilde, cresceu vendo sua mãe fazer algumas faxinas para ajudar a compor o orçamento doméstico enquanto seu pai trabalhava como eletricista.

E desde sempre, soube que queria independência financeira. E assim colocou na cabeça que queria cursar a faculdade de moda enquanto se desdobrava trabalhando de segunda a sexta e todos os finais de semana. “Não sei como sobrevivi mas era super focada”, relembra, “Parece que tinha uma locomotiva dentro de mim”.

Daí em diante foi conquistando novos empregos, novos estágios e com um desafio de encarar a produção de uma grande revista, entrou de cabeça na história – ao mesmo tempo, acabou engravidando do marido.“Eu morria de medo de engravidar, mas um dia estava conversando com Deus, meio chateada e disse pra ele que se Ele achasse que era o momento, poderia mandar um filho naquele dia. E foi o pedido atendido mais rápido da minha vida. Eu não acreditava quando vi que estava gravida, quando via o ultrassom, achava aquilo muito louco”

Isso aconteceu no início de 2012.

“Enquanto a Alice crescia na minha barriga eu estava completamente envolvida e apaixonada na revista, trabalho novo, profissão nova… Estava sendo reconhecida e fui super acolhida. Sai de licença faltando 1 semana pra ela nascer, foi tudo tranquilo, parto, pós parto e etc, e quando ia voltar a revista já estava indo dando sinais que iria acabar. Com os cortes de gastos, fui dispensada e chorei muito quando estava oficialmente fora mas também fiquei tão feliz por poder viver todas aquelas fases com ela”

Com essa loucura e mudança total na rota, se dedicou 100% à Alice, só que, quando ela fez 1 ano, as coisas pioraram muito no trabalho do marido. “A empresa aonde ele trabalhava há 19 anos dava indícios de que ia falir e nossa vida financeira foi ficando bem complicada. Decidi voltar atrás em uma decisão – a essa altura já não queria mais trabalhar com moda dessa maneira – em fábricas, marcas, Bom Retiro então nem pensar !!! Mas foi a primeira porta que abriu, e eu como estava fora há um tempo, com filha pequena decidi pegar, e foi a pior e a melhor coisa”

Então, as coisas foram acontecendo em outro ritmo. Segundo ela, o pior emprego que já teve.

“Empresa ruim, condições ruins, zero perspectiva, distância… saia de casa as 06 e voltava as 20h. Foi terrível, Alice sofria, eu sofria mais ainda. 6 meses depois consegui sair e consegui outro emprego, no mesmo bairro mas com carga horária um pouco menor e condições melhores. Achei que era a solução dos meus problemas, mas ai tive que colocar Alice na creche municipal (nessa época ela ficava tempo integral com meus sogros).
Na primeira semana de escola foi só felicidade mas depois foi um escândalo pior que o outro, um sofrimento terrível. Eu sofria por não poder acompanhar minha filha nessa fase de adaptação, queria eu fazer isso, meus sogros sofriam porque não sabiam lidar com isso, descobri que existe uma máfia do transporte escolar e não consegui ninguém para levar Alice na creche, resumindo tive que transferi-la de creche”

No dia que saiu do seu trabalho para resolver o destino de Alice, desmoronou.

“Fui chamada de imatura e ainda ouvi que toda criança faz birra pra não ir a escola (ela não tem filhos), e eu tinha que aprender a lidar. Eu era a cara da derrota, e a situação só foi piorando cada vez mais. Foram surgindo alguns atritos, eu já não estava nenhum pouco satisfeita com as minhas atribuições e me sentia extremamente desvalorizada, ai junta o momento de transição da Alice, o financeiro que estava péssimo, e pra ajudar Alice teve começo de pneumonia… resumindo: 5 meses depois eu tomei um pé na bunda bem tomado”

A partir daí, Damiana se viu mais uma vez em casa, só que aliviada por poder ficar com sua filha. “Lembro que no dia da minha demissão eu tomei uma garrafa de vinho praticamente sozinha, queria esquecer tudo que aconteceu. Eu não poderia nem pensar em ficar desempregada, ainda estava sem registro então nem tive direito a seguro. Me senti tão derrotada, olhava pra Alice, eu aos prantos e pensava e agora? Sem grana pra escolinha dela, sem condição nenhuma, e em casa cheios de dívida porque o Eder saiu da empresa anterior sem um tostão..”

Um tempo depois conseguiu uma vaga em outra creche, e pode acompanhar a filha na adaptação e se animou para buscar empregos novos. E nunca foi chamada para entrevistas.

“Nessa época comecei a entender que o emprego formal, o “bater cartão” não servia mais para mim. E comecei a pedir uma luz pro universo, pra que brotasse alguma ideia na minha cabeça e fui lendo livros, artigos, buscando um pouco mais de autoconhecimento e cheguei ao projeto do site de festas, um classificado de fornecedores da região da cidade de São Paulo e Grande ABC. Precisava ser um negócio de baixo custo de investimento (porque a gente não tem grana) e eu poderia trabalhar em casa, ou de qualquer lugar.”

Em setembro de 2015 começou a trabalhar a ideia, só que aí, uma outra bomba caiu em sua cabeça – seu pai, de 61 anos, deficiente físico, bi amputado nas 2 pernas abaixo do joelho sofria de doença renal crônica e precisaria fazer hemodiálise, ate o resto da vida.

“Só eu dirijo da minha família: 4 mulheres, mãe + 3 filhas. No mínimo teria que leva-lo e busca-lo 3x na semana ate a clinica, ou seja, trabalho formal estava totalmente fora de cogitação definitivamente. Começou ai meu grande desafio: Montar um negócio pra que eu pudesse tocar em meio a essa rotina – casa, marido, filha, pai e ainda ser mulher, (tentar ficar) bonita , ser legal com todo mundo mesmo sendo julgada pela família”.

E mesmo com o marido desempregado, ela encontrou forças para retomar seu sonho da plataforma online de produtos e serviços para festas. ”

Para ela o maior aprendizado foi tirar o sentimento de derrota que tinha quando olhava pra vida profissional.

“Eu tinha que ver que eu tenho sim capacidade, força pra recomeçar, levantar a cabeça e escrever uma nova página da minha história tem sido um desafio enorme. Eu me sentia muito sozinha, perdida, sem conseguir colocar as ideias em ordem. Sinto falta de sair pra trabalhar, de ter meu salário caindo na conta, de comprar o que eu quiser porque o dinheiro não vai faltar, coisas bobas e até pequenas mas que faziam parte de mim”

Para quem quer conhecer mais do seu novo negócio, cadastrar sua empresa de festas, e apoiar essa mãe empreendedora a realizar esse sonho, conheça sua página, e entre em contato com ela.
Mercado das Festas

PS: e pra quem tem um emprego para o marido dela, profissional de TI, dá uma olhada em http://www.conexaodados.com.br/

2 comments

  1. CYNTIA SIMONE DE SOUZA RODRIGUES says:

    Parabéns ao”maeatwork” por trazer histórias reais, por inspirar tantas mães que em meio as dificuldades escolhem seguir… Na torcida pela amiga de vida!

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