Sair do trabalho, empreender e voltar: Idas e vindas de uma mãe em reconstrução

Sair do trabalho, empreender e voltar: Idas e vindas de uma mãe em reconstrução

Por Josiane Pinheiro

As sementinhas sempre são plantadas antes das coisas efetivamente acontecerem, e comigo não foi muito diferente.

As sementes foram plantadas com a maternidade, com o nascimento do meu primeiro filho, em 2011. Eu já era funcionária pública e recém tinha entrado na graduação em Psicologia. Adentrar na maternidade e na psicologia praticamente junto, foi determinante para mexer comigo e nos meus propósitos.

Conheci tantas pessoas nesse caminho, criei novas amizades, tive novas experiências, enfim… É um novo mundo… E com a psicologia junto, sabia que poderia agregar nesse mundo e exercer um trabalho com significado, mas não sabia como ainda. Trabalhar como funcionária pública acabou se tornando entediante, cansativo, rotineiro, mas sempre necessário.

Quando engravidei da Helena em 2013, resolvi que iria fazer uma reserva de dinheiro, tirar uma licença interesse (de até dois anos) após a licença maternidade e empreender.

Depois que Helena nasceu, criei uma marca de bodys e camisetas infantis sem gênero, que me levou a criar um Bazar de Mães, que me levou a criar a Casa Matrioska (Coworking e Espaço Família).

Só que a Casa Matrioska não se viabilizou e com o fechamento do projeto, acabei fazendo uma formação em Coaching. Foram quase 2 anos trabalhando em projetos para Mães e Mulheres, um período intenso e incrível, que fez meu coração bater mais forte. Aprendi muito, fiz amizades, conheci pessoas, apareci na mídia, contribui de alguma forma na vida de mães… Contudo, financeiramente, não estava mais conseguindo manter em dia as despesas familiares.

Precisei voltar para o trabalho como funcionária pública – aquele trabalho cansativo, rotineiro, sem propósito – depois de ter experimentado aquele que seria o meu “céu”. Só que eu tinha mudado nesse tempo também: eu não estava fazendo o que amava, mas aprenderia a amar aquilo que era necessário fazer.

Me questionei muito sobre esse retorno, logo eu que falava que a gente precisava viver nossos propósitos, seguir nossos sonhos…

Mas eu sabia que eu tinha algo a aprender. Então me abri as oportunidades, aceitei, confiei, agradeci.

E foi um ano incrível: meu cargo é bem operacional, embora eu exerça algumas atividades administrativas – vi que meu empoderamento feminino também passava por fazer alguns serviços mais pesados, vestir uniforme, dirigir – e sem tirar o batom… rsrs… Tenho colegas incríveis que são minha inspiração, que pegam pesado e são lindas. Fiz novas amizades, escuto minhas músicas no meu fone, tiro selfies no trabalho, me divirto e aprendo muito…

Afinal, as experiências podem ser mais leves – ou ter o significado que dou para elas. Posso escolher reclamar, ou agradecer pela oportunidade.

Por fim, sou muito grata ao meu trabalho, pela minha estabilidade financeira que proporcionou tomar uma decisão importante nesse último ano: me separar.

Quantas mulheres permanecem em relações sem sentido ou até abusivas por não terem independência financeira?

E sobre meus sonhos? Continuo atrás deles, reconhecendo minhas limitações, estudando para um dia me formar… Compartilho minhas vivências no meu perfil pessoal, troco experiências e apoio com outras mães e mulheres… Tem dias que são mais difíceis, mas sigo vivendo com meus propósitos e aberta as oportunidades da vida…

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