Da dor, ao grito de liberdade. “Parei de sobreviver e comecei a viver de verdade”, conta mãe

Da dor, ao grito de liberdade. “Parei de sobreviver e comecei a viver de verdade”, conta mãe

Algumas crenças ficam arraigadas no nosso subconsciente até que tenhamos aquele clique – e um clique tão forte que faça com que possamos acordar e tentar entender porque acreditamos durante tanto tempo em afirmações que não eram nossas, mas passaram a permear nossas vidas.

Para a Andressa Bonini, essa crença era de que ‘mulher bem sucedida tem que trabalhar’.
Ela acreditava e vivia isso intensamente. Trabalhava em seus projetos quando engravidou, aos 24 anos e mudou totalmente o rumo de sua vida.
Sua primeira constatação foi de que não era nada fácil ‘conciliar‘ a agenda da mulher bem sucedida que queria ser, com a maternidade. De manhã, antes que a filha acordasse, a levava para a casa de sua mãe, que cuidava dela em período integral, e ia para o trabalho. A noite, cansada e sem energia, tentava, em vão, dar uma atenção para a filha que queria curtir um pouco com a mãe. Mas não conseguia sequer ouvir as perguntas da filha, que a observava responder com a cabeça, sem nem prestar atenção no que havia sido perguntado.

“Eu não tinha consciência de que estava apenas sobrevivendo sem qualquer qualidade de vida. Estava sempre esgotada, sem tempo e sem energia. E só deixava de trabalhar para atender as urgências, como quando ela ficava doente”.

Foi nessa época que acabou se divorciando. Ao mesmo tempo que corria o dia todo para apagar incêndios, a culpa já tomava conta, por não saber como estava a filha e não acompanhar seu crescimento de perto.

“Pedidos simples como a compra de materiais escolares eram esquecidos. Ela dizia que eu não a escutava. Até que um dia veio um sinal de alerta”.

Sua filha, já com dez anos, estava distante demais – e aquele distanciamento estava ficando intransponível e trazendo sérias consequências.

“Nenhuma mãe merece passar por essa dor. E foi o período mais difícil de toda a minha vida. E nesse momento, decidi dar um basta. Um basta na minha vida corrida. Comecei a perceber quantos pais perdiam seus filhos para as drogas por conta dessa ausência, e resolvi dar meu grito de liberdade”.

Nesse período, se afastou do trabalho para tentar recuperar o tempo perdido com a filha. E, na mesma época, conheceu o atual marido, que a apoiou durante as mudanças.
Percebendo que tinha a oportunidade de virar o jogo, passou a enfrentar um doloroso processo de autoconhecimento, mas que revelava suas sombras e suas potências, até então, escondidas.

“Comecei a estudar muito e vi que através do coaching eu podia estar mais perto da minha filha. Comecei a levar e buscar na escola, trabalhar de casa e buscar esse estilo de vida que me proporcionava estar mais próxima e acompanhar o desenvolvimento dela mais de perto”.

Hoje ela sente que ainda está reconstruindo a relação com a filha, que já está com 14 anos. Mas mudou a crença de que mulher bem sucedida é aquela que trabalha.

“Pra mim, hoje, sucesso é ter essa proximidade com a minha filha e ver que isso pode fazer com que ela seja mais feliz”.

Nessa reconstrução de si mesma, Andressa percebeu que podia contribuir com a reconstrução da história de outras mães, que passavam pelo mesmo problema.

“Comecei a perceber o quanto era comum mães que tinham visto filhos andar através da tela do celular, e percebi que não precisava ser assim. Eu sabia o custo disso. O quanto aquele tipo de vida ia cobrar sua conta mais tarde. E o quanto aquelas mulheres sofriam com aquele estilo de vida sem tempo pra nada”.

Como amava trabalhar, começou então a desenvolver cursos que pudessem ajudar estas mulheres a sairem dessa emboscada. E se tornou uma empreendedora digital, que possibilita que trabalhe remotamente, atendendo outras mulheres.
“O que me move são as mensagens que recebo, de outras mães que conseguiram superar esses períodos difíceis e fazer mudanças em suas vidas”.

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