Sua torneira está pingando?

Sua torneira está pingando?

A torneira da minha cozinha está pingando, desde segunda.
No começo, achei que não precisava lidar com aquilo. Afinal, eram só alguns pingos. Ontem, com o passar do dia, comecei a notar que eles estavam mais frequentes do que eu imaginava e, só pra desencargo de consciência, coloquei um grande pote debaixo da torneira para aquela água não ser desperdiçada.

Foi então que eu percebi que não eram só alguns pingos. O pote encheu, de verdade, e transbordou em menos de duas horas.
Aí eu vi que era melhor consertar logo a torneira.

Por que estou contando isso?

Porque o que acontece na vida da gente é justamente isso.

Muitas vezes, vamos percebendo alguns pequenos desajustes que não acreditamos que são lá grandes coisas. Como a coisa toda não acontece de uma só vez, vamos deixando. E só quando tomamos consciência de que aquele ‘pouquinho’, acumulado, é muita coisa, é que tomamos providências.

Vejo isso acontecer em todas as áreas da vida. No trabalho, vamos engolindo um sapo por vez. Nos relacionamentos, também vamos dando poder para que certas pessoas possam nos tirar do eixo, mesmo que seja com micro ataques quase imperceptíveis. Vamos dando razão a comentários de internet, nos deixando perturbar por preocupações que nem são nossas, e, quando chega no fim do dia, nem sabemos o porquê, mas estamos de saco cheio.

Aquelas pequenas irritações e desconfortos, acumulados, vão tomando grandes proporções.

E, por que? Porque já nos acostumamos ‘com o barulho da torneira pingando’.

Que tal consertar esses pequenos vazamentos?

One comment

  1. Michelle says:

    Olá Cinthia,

    Achei seu blog, quando pesquisava a respeito de uma mãe retornar ao mercado de trabalho. Vou deixar aqui o meu relato, realmente na maioria das vezes os pingos da vida se acumulam em nossas mentes e corações e nos vemos transbordar, deixando a nossa vida se esvair, deixando o melhor de nós ir embora, sem tampouco prestarmos atenção.
    Em 2012 descobri que estava gravida, na época estava em um emprego no período de experiência não era algo que eu gostasse, porém, a necessidade me fazia embarcar naquela área, sempre fui muito responsável e dedicada no trabalho sem falsa modéstia, porém, quando contei ao RH que estava grávida e logo precisava trocar algumas vezes na escala para exames pré-natais, sem pudor fui demitida, naquele período ainda podiam fazer isso. Sou muito pacifica e por medo de me estressar não quis correr atrás do prejuízo e nem tampouco recorrer à justiça, queria apenas curtir minha gestação tão esperada. Meu filho nasceu e eu já era apaixonada por ele no ventre, e quando o vi então, Meu Deus, decidi eu nasci para ser mãe, naquele momento decidi que continuaria estudando, porém, não voltaria ao mercado de trabalho até que ele pudesse ir a escolinha. Terminei minha primeira faculdade, amamentando, não desisti, ia as aulas com ele, amamentava, os professores ajudaram muito. Logo depois, retomei meus estudos e comecei uma nova faculdade, sempre levando ele comigo. Consigo perfeitamente estudar e ser mãe, porém agora ele já está com 4 anos e estou sentindo a necessidade tanto financeira, quanto pessoal de colocar meu lado profissional para fora e quão difícil é retornar ao mercado após 5 anos longe dele. Não deixei de me qualificar como já descrito acima, continuo estudando, porém, não sou chamada nem para entrevistas, e quando por acaso fui chamada para uma, logo veio a pergunta: Você se dedicou bastante ao seu filho, 5 anos é bastante tempo fora do mercado, como pretende conciliar as duas coisas? Bom tal meu espanto: “Pretendo ser mãe, porém, sem jamais deixar minhas responsabilidades de profissional, certamente algumas vezes precisarei ter horários flexíveis, pois não tenho família perto, mas se me derem uma oportunidade de mostrar o meu valor, tenho certeza de que não irão se arrepender. Ouvi: “Sim gostamos muito do seu perfil, está dentro do que queríamos, qualquer coisa entramos em contato”. Nunca ligaram. Fico pensando por qual motivo? queriam que eu dissesse o quê? que eu deixaria meu filho na creche até de madrugada e me dedicaria totalmente à empresa? Não, isso não farei e creio que todas as mães que amam seus filhos incondicionalmente também não fariam. Este é meu desabafo, sou mãe, tenho 32 anos, profissional qualificada, cursando a segunda faculdade. Onde eu vou meu filho está comigo, 5 anos fora do mercado e sem perspectiva de retornar, não sou empreendedora nata, então estou estudando para adquirir essa qualificação, por que me vejo sem alternativa.

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