Sair com filhos… do julgamento à empatia

Sair com filhos… do julgamento à empatia

Todo mundo sabe que quando nos tornamos pais não é tão comum sairmos à noite. Na maioria das vezes trocamos qualquer programa por uma boa noite de sono.
E comigo não é diferente.
Mas, eis que esta semana estava com uma hóspede especial.
Uma amiga que não via há dez anos, com quem já morei na Califórnia durante a juventude, que já me hospedou por semanas em sua casa na Espanha, e com quem fiz viagens inesquecíveis.
Daquelas amizades raras que a gente não encontra em cada esquina.

De férias, ela escolheu visitar o Brasil para que pudéssemos nos reencontrar. Ainda não conhecia minhas filhas, e mesmo conversando constantemente por Skype, nada como a presença física para nos reaproximarmos.
Pois bem: depois de um fim de semana de praia, onde viajamos com as crianças, ela foi conhecer outros estados, e nesta tarde retornou para nossa casa, onde dorme até amanhã, quando embarca pro Rio.
Com uma convidada tão especial, resolvemos fazer algo diferente. Colocamos nossas roupas de sair e às seis da tarde lá estávamos nós quatro. Eu, ela e as crianças, num restaurante no topo de um hotel bacanudo cuja vista é de tirar o fôlego.

As meninas curtiram ver a cidade toda dali, explicamos onde ficava cada lugar, comemos, e, pouco depois das sete, elas já estavam com sono. Uma se ajeitou no banco e fechou os olhos. A outra deitou a cabeça no meu colo. E eu comecei a sentir os olhares que ainda não tinha percebido, das pessoas ali presentes.
A gente não consegue ler pensamento, mas quem é mãe conhece bem um olhar julgador. E mesmo que eu tentasse ignorar estes olhares, eles começaram a me incomodar.

Aqueles olhares que dizem ‘por que ela não vai pra casa colocar essas crianças pra dormir?’
Até que o manager do hotel se aproximou. Gentilmente, ele trazia duas toalhas grossas e fofinhas, e me ajudou a cobri-las, enquanto dizia:

“Eu também sou pai. Sei que é difícil sair quando temos filhos”.

Nem que ele me desse um desconto de 50% na conta eu ficaria tão grata quanto fiquei naquele momento. Não foi só o gesto. Foi o acolhimento, foi a empatia, foram as palavras certas no momento certo.
Continuamos ali por mais uma hora e nem reparei mais nos olhares de julgamento.
Julgamento nós já temos demais. Quero focar é nessas raras e pequenas gentilezas que fazem toda a diferença quando estamos nos sentindo vulneráveis.
Só queria dizer obrigada, Bernardo.

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