“Você não sabe mais quem você é, quem você quer ser e quem você pode ser”, Sumaia Thomas

“Você não sabe mais quem você é, quem você quer ser e quem você pode ser”, Sumaia Thomas

Ela estava no auge profissional quando engravidou pela primeira vez.

Logo que a Liz nasceu, ainda de licença maternidade, Sumaia se viu às voltas com as dúvidas relacionadas ao puerpério. Tinha lido tanto sobre a gestação, mas sentia que nada a tinha preparado para esse período do pós parto.

“Eu me sentia muito estranha e saía para fazer acupuntura para ter uma produção maior de leite porque tinha uma grande preocupação em amamentar”, conta. “No meio do processo, pedi para a acupunturista colocar umas agulhinhas para a libido voltar”.

Naquele momento, a médica a encarou com um olhar maternal e disse “Se você colocar algo para voltar a libido, vai inibir a produção de leite”.

Teve um clique. Só conseguia pensar em como a natureza era sábia. “Eu pensava – poxa, não é o período ideal para engravidar de novo… por isso não sentimos libido. Eu nunca tinha prestado atenção nisso nem ido atrás dessas coisas”.

Foi na volta para casa que caiu uma grande ficha.

“Na gravidez e pós parto ninguém fala sobre isso. O máximo que eu sabia era que precisava de ajuda para os primeiros dias”. Então, começou a pensar em como poderia fazer alguma coisa para ajudar as mães no pós parto.

“Você não sabe mais quem você é, quem você quer ser e quem você pode ser”.

Só que o tempo foi passando, ela retomou a rotina de trabalho e, quando engravidou novamente, sentiu na pele que teria dificuldades. Seu líder reagiu de uma maneira ruim à notícia da nova gestação e ela precisou se posicionar.

“Me coloquei diante do meu líder dizendo que não tinha gostado da reação dele. Falamos que ele não poderia reagir dessa forma com uma mulher que contava sobre a gestação. Ele concordou e se desculpou na hora. E então, me posicionei que o foco da conversa eram os resultados a serem entregues até a minha licença. Cada vez mais temos que saber nos posicionar nesse momento. A mulher que é mãe e tem outro bebê a caminho não deixa de ser profissional em seu ambiente de trabalho.”.

Só que depois disso tudo, o ambiente de trabalho foi ficando pior.

“A área onde eu trabalhava não tinha o mesmo foco e eu estava fazendo muito pouco daquilo que gostava. Estava trabalhando mais em questões de pesquisa e o que eu gostava era o coaching. Queria falar de desenvolvimento, ajudar as pessoas a conversarem, se expressarem e desenvolver suas competências e nada disso eu estava fazendo”.

Foi a partir dessa percepção de que não estava feliz naquele contexto, que foi arrumando uma forma de se desligar.

“Outro ponto importante foi a curadoria do conhecimento onde fui refinando o desejo de trabalhar com as mães e alguém me ajudou a ver como eu era capaz de fazer isso. A pergunta que me tocou foi – “O que você vai fazer com as suas competências nos próximos dez anos?”.

Todos os dias que encarava essa pergunta, se questionava o que faria da sua vida com suas competências.

“A primeira resposta foi óbvia – não era ficar na empresa que eu estava”.

Foi aí que formatou uma consultoria para mães que estavam com dificuldade no pós parto e dificuldade em outras questões depois do nascimento dos filhos.

“O objetivo do meu trabalho é proporcionar soluções para a mãe que tenha dificuldades no pós parto e que esteja relacionado com a mãe e a profissional que ela quer ser. O que está faltando para ela se sentir bem consigo mesma?”

Onde encontrar a Sumaia

One comment

  1. Daniela Salvá says:

    Incrível como de maneira clara a Sumaia descreveu todas a semoções que se pesam em nossas vidas em tão curto espaço de tempo, onde decisões a serem tomadas com brevidade (porque 4 ou 6 meses) é muito rápido, impactaram em nosso futuro e de nossa família.

    Obrigada pelo artigo, gostei muito e dedico sucesso a Sumaia em sua dedicada e carinhosa jornada.
    Abraços
    Daniela Salvá mãe de Gabriel Salvá 8 anos e 9 meses

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