Os desafios que a vida traz para que possamos aprender

Os desafios que a vida traz para que possamos aprender

O excesso de atividades

Faz um tempo que tenho mantido uma rotina de tarefas extenuante. Tantas atividades ininterruptas dentro de casa, cuidados e preocupação com filhos 24 horas por dia, muito trabalho, reuniões, compromissos externos…

E outro dia contei dessa rotina para a Sandra.

A Sandra é terapeuta holística e faz meus florais há anos, então sempre que nos encontramos falo dos meus principais desafios e peço que ela me passe um floral adequado para aquele momento.

Só que eu não sou a mais obediente das pacientes.

Há algum tempo ela passou uma fórmula que eu estava receosa de tomar. Como a fórmula anterior estava dando super certo, no meu ponto de vista, achei que era melhor não trocar.

Mas ela dizia que eu estava indo além dos meus limites. Que eu precisava entender isso.
Há uma semana fiz a fórmula nova.

O alerta

Outro dia estava conversando com a Tati, uma amiga que é terapeuta ocupacional e estávamos falando sobre física quântica.
No meio da conversa, por algum motivo ela disse:

‘Nosso corpo é tão sábio que quando a gente está sobrecarregando, ele dá um jeito de nos mostrar isso. Só que aí a gente gasta energia pra lutar contra nós mesmos. Ao invés do corpo gerar saúde, ele se encarrega de gerar doença para que a pessoa entenda que é hora de parar. A gente não consegue parar se o nosso corpo não diz chega”. E emendou ‘até quando a gente quebra alguma coisa, eu acho que é pra nos alertar de algo’.

Lembro que fiquei com aquilo na cabeça, martelando.

Eu não achava que tinha que diminuir o ritmo. Nem conseguia imaginar como fazer isso, já que às vezes tenho a impressão que se eu parar tudo desmorona à minha volta.

Então, eu me auto impus um ritmo mais acelerado. “Pra dar conta de tudo”

Nesse período percebi que tinha menos paciência com as minhas filhas. Com elas e com qualquer um que não fosse capaz de estar no mesmo ritmo.
Acelerado.

A queda

Eis que, esta semana, eu caí.

Não caí de cama. Caí, literalmente.
Foi uma queda boba, até engraçada. Mas para me segurar, firmei o pé e dobrei o dedo.
O dedão do pé ficou uma bola. Formigando, roxo, e eu mal conseguia encostá-lo no chão.

Teimosa que sou, nessa mesma semana tinha começado a fazer muay thai numa academia de luta perto de casa, pra colocar pra fora a energia acumulada e aliviar o stress. Como estava funcionando bem, não pensei duas vezes – mesmo mancando, fui à aula, falei pro professor que tinha dado uma topada, e fiz uma sequência de socos, parada, já que eu não estava apta para os chutes.

A reflexão

De madrugada, acordei e não conseguia mais dormir.
Nunca tive insônia na vida e aquilo me incomodou.
Saí do quarto e comecei a pensar.
Percebi que eu não tinha tido tempo pra pensar. Com tanta coisa pra fazer e com a mente cheia, não tenho tido tempo pra pensar. Parar e pensar.

Percebi a dificuldade de colocar o pé no chão.
Percebi a dificuldade de andar pra chegar até o banheiro.

E comecei a refletir.

Lembrei da Tati falando ‘A gente não consegue parar se o nosso corpo não diz chega’
Lembrei da Sandra dizendo ‘Você está indo além dos seus limites’

E me dei conta que, mesmo sem conseguir andar, no dia anterior eu queria correr. Eu queria LUTAR.
Eu estava fazendo isso todos os dias. Mesmo sem condições de andar, tentando lutar.

Percebi como eu estava lutando. Lutando contra a força dos acontecimentos, que diziam pra mim que era hora de diminuir o passo, de diminuir a marcha, de andar mais devagar. Literalmente.

Hoje de manhã pedi ajuda às minhas filhas. Pela primeira vez na vida.
Pedi que elas fizessem sozinhas coisas que geralmente faço para elas, expliquei que estava com dor e fizemos as coisas em outro ritmo.
Percebi o quanto eu tenho dificuldade de pedir ajuda. Mesmo quando sou incapaz de fazer as coisas sozinha.

Andando para deixá-la na escola, numa marcha lenta, olhei para coisas que nunca tinha notado no caminho.
Entendi o que precisava aprender.
Finalmente, aceitei o aprendizado.

One comment

  1. Edivaldo Feitoza says:

    Na maioria das vezes, me envergonho de estar na condição de homem e não pensar nas dificuldades e nas obrigações que as nossas companheiras enfrentam sozinhas, sem a mínima compreensão dos seus companheiros “homens”…Parabéns, MULHERES!

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