“Tem mais alguém angustiada como eu?”, como Dani Junco criou uma aceleradora de negócios para mães

“Tem mais alguém angustiada como eu?”, como Dani Junco criou uma aceleradora de negócios para mães

A história da Dani Junco começou bem antes do nascimento do Lucas.

Com sangue empreendedor correndo nas veias, ela estava submersa no universo do empreendedorismo muito antes de engravidar.

“Eu era muito segura, sabia onde estava e onde queria chegar. O trabalho que eu desenvolvia me dava prazer”, conta, lembrando de como gerava valor. “Alguém comprava algo de mim eu entregava e cobrava. Era basicamente isso”.

Por uma manobra do destino, no mesmo dia que descobriu a gravidez, passou num curso chamado ’10 mil mulheres, da Fundação Getúlio Vargas’. Gestando o Lucas e se conectando com a própria essência, percebia que aquele período era um grande divisor de águas. Tanto pelos insights que tinha, quanto pela transformação – que ainda nem era notada no corpo, mas era sentida na alma.

“Foi quando comecei a me conectar com a palavra propósito e comecei a me questionar qual era o propósito do que eu estava fazendo. Eu estava empreendendo e não sabia qual legado estava deixando para o mundo nem como eu poderia deixar o mundo maior e melhor para o meu filho”.

Enquanto buscava a resposta, percebia que ela não vinha. E ficava ainda mais angustiada. Já sabia que não conseguiria manter aquele ritmo depois da chegada do Lucas, e pensava em como equilibrar os pratinhos depois do seu nascimento.

Quando ele nasceu, quis expressar essa angústia. Escolheu uma rede social e perguntou:

“Tem mais alguém angustiada como eu?”

E quis abrir um espaço em sua empresa para essa discussão.
Colocou cinco cadeiras, divulgou a data e esperou.

Para sua surpresa, apareceram outras oitenta mulheres com a mesma dor.

“Eu sabia que de cada dez mulheres, quatro não retornavam de licença maternidade. E estava assustada com aquela estatística. O B2Mamy nasceu disso!”

Dedicada a encontrar uma solução, entendia que a palavra que mais surgia nos encontros era ‘solidão’. E as perguntas ‘como fazer’ e ‘para onde vou’.

Nessa época, ainda empreendia e mentorava eventos de startups. Só que seu coração dizia que era hora de criar algo para esse público específico que vivia uma dor que ela bem conhecia.

“Percebi que precisava criar uma jornada tipo um jogo de tabuleiro para que estas mulheres que queriam empreender e não sabiam nem como começar, pudessem saber onde poderiam chegar e organizassem o racional fazendo isso em rede. Para que soubesse que se unissem no começo do negócio, trocando ideias, fornecedor e parceiros, a coisa fluiria. A missão do B2mamy nasceu para capacitar e conectar mulheres mães que querem empreender”.

Foi nesse momento que começou a desenhar cenários mais nítidos, unindo a metodologia tradicional com a metodologia de startups para que conseguisse iniciar essa jornada.

“Começa com um choque de gestão para tirar essa ideia do papel que é o Start e vai seguido de outras fases até o programa de aceleração que é o Pulse, que a gente prepara elas para o mercado. Nesse meio do caminho fazemos rodadas de negócio”. Em paralelo, criaram uma plataforma online onde o algoritmo cruza possibilidades de negócios entre elas para que se conectem.

Embora tocar o novo empreendimento seja desafiador, seu maior desafio hoje não é o crescimento do B2Mammy, e sim o do próprio Lucas, que começou a falar tudo há pouco tempo e parece expressar mais abertamente suas necessidades.
Para Dani, que já conquistou autonomia de tempo e está diante de um grande salto para avançar com a empresa, o segredo é saber a hora de acelerar com a aceleradora, e relaxar ao lado do filho.

A grande diferença é que dessa vez, quando se pergunta ‘tem mais alguém angustiada como eu?‘, ela sabe a resposta. E enxerga que uma de suas missões é dar as mãos à mulheres que ainda não descobriram como chegar lá.

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