Rotina das mães – um Himalaia por dia

Rotina das mães –  um Himalaia por dia

Nesta terça me deparei com a foto da capa do jornal de domingo – um rapaz com uma planta numa mão e um tênis em outra. Curiosamente, era capa do especial de dia dos Pais. A matéria conta a ‘jornada’ dos pais que conciliam atividades como escaladas no Himalaia e shows, com a rotina no escritório.

Por isso, lancei a pergunta no blog para as mães “Como é sua rotina?”

Estava interessada em saber como andava a rotina das mães. E descobri (não que eu já não soubesse, mas, de fato, pelas respostas, pude validar minha teoria) que, para as mães, é um Himalaia por dia.

A maioria das mulheres acorda bem cedo – quando dorme. Algumas, às 4 da manhã, outras, que amamentam os filhos, várias vezes durante a noite – e quando levantam para começar o dia, começa a maratona – preparar as coisas para a escola, o café da manhã dos filhos – muitas delas, para o marido que ainda não levantou – e, quando a criança está de pé, trocar, tentar tomar um café decente enquanto está de olho no relógio, e correr.

O dia nem começou e as mães estão a todo vapor.

Muitas mandam os filhos com a van escolar, que passa bem cedinho. Outras levam o filho pra escola, de carro ou ônibus. Algumas em escolas diferentes. Aí é hora de pegar no batente.

Antes de chegar no trabalho, a maioria já preparou a marmita, tirou as roupas do varal, guardou, lavou a louça e ainda nem começou a transpirar.

No trabalho vem a parte ‘easy’ da coisa. Aquela parte da escalada que não requer tanto esforço mental e energia – é como se fosse o terreno que a gente conhece, mas precisa subir com a mesma energia – porque pra ser substituído é um pulo.

Quando termina o expediente, começa a subida mais íngreme. Aquela parte de rezar pra conseguir chegar a tempo de pegar a criança na escola enquanto o trânsito empaca tudo, chegar com as crianças em casa, preparar o jantar, dar banho, tentar ter energia para conversar, etc etc, e colocar para dormir.
Aí vem o terceiro turno – que geralmente é a casa – tanto as tarefas que dizem respeito às crianças, quanto às que dizem respeito ao funcionamento em geral.
Isso num dia comum – quando nenhuma intercorrência acontece com os filhos.

Nessa escalada, a maioria sobe sozinha. Poucas podem contar com ex maridos – que provavelmente ficaram pelo caminho por motivos óbvios – e algumas citam colaboração paterna em algumas atividades escassas como dar banho nas crianças, colocar para dormir, etc.

O número de pais que divide pau a pau as atividades relacionadas à casa e aos filhos é tão raro que pode-se contar nos dedos de uma mão. A administração – tanto da compra do papel higiênico ao lápis de cor do filho – continua sendo da mulher.

Dizem que o organismo do ser humano sofre inúmeras mudanças ao enfrentar a aventura de viver com pouco oxigênio, quando desafia escalar montanhas acima de 6 000 metros. A pessoa caminha com dificuldade sobre a neve, e por isso precisa parar para respirar inúmeras vezes.
No meio da subida, o sujeito cai prostrado, esgotado pelo cansaço. E a falta de oxigênio no cérebro pode afetar a capacidade de raciocinar e de executar tarefas aparentemente simples. Também fiquei sabendo que quando se escala o Himalaia, mesmo depois de uma noite de sono, uma pessoa se sente tão cansada quanto antes de dormir.

Qualquer semelhança com o dia a dia de uma mãe não é mera coincidência.

One comment

  1. Thaís says:

    Acho que a maior diferença é que qualquer um considera escalar o Himalaia um feito notável, mas a rotina que as mães levam é só a mulher fazendo sua obrigação, na maioria das vezes sem nenhum reconhecimento ou colaboração.

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