Era uma vez uma foto

Era uma vez uma foto

Ontem, 6 de dezembro de 2017, o Facebook me trouxe uma lembrança de 6 de dezembro de 2013.
Estavam eu, Eva com 3 anos, e Aurora com 6 meses. A foto foi tirada num evento no MIS, em São Paulo. Aparentemente, eu estava bem, afinal, eu estava sorrindo.

Por trás daquele sorriso, eu carregava tanto medo e sofrimento, que nem sei como me mantinha de pé.
Um ano e meio antes eu tinha decidido deixar a carreira de lado pra ficar com a Eva full time. Um ano antes, tinha decidido engravidar pra ter uma família maior. E, naquele momento, eu vivia uma solidão inimaginável. Sozinha, com as duas em casa, sem grana, precisando voltar a trabalhar, só que sem qualquer perspectiva de trabalho em vista e, enquanto fazia planos, com uma bebê e uma menina de três anos, tentava chorar escondida enquanto a torneira estava aberta e eu lavava louça.

Me lembro que foi justamente nesse período que as duas ficaram doentes, juntas, e quando cheguei no Cacá, o pediatra delas, fui surpreendida pela pergunta:

“Você está feliz?”

Aquela pergunta era incômoda porque eu nem sabia dizer em voz alta que não estava feliz. Aliás, eu estava tudo, menos feliz. Mas como verbalizar isso? Como dizer em voz alta que não estamos felizes numa sociedade que cobra que fiquemos felizes o tempo todo? Na dúvida, eu sorria pra esconder a angústia de não saber o que ia acontecer no dia seguinte. Estava presa num redemoinho de pensamentos e não conseguia sequer imaginar que um dia sairia dele.

O primeiro passo foi saber responder aquela pergunta. Não foi em palavras, mas foi através de um choro que estava entalado na garganta. Ele respondia por si só. Era um choro que eu não tinha coragem de chorar, mas precisava. Precisava, porque só ele seria capaz de me libertar daquele estado.

O Cacá me olhou com carinho e só deixou eu sair dali com uma solução. “O que você quer fazer em relação a isso?”

Foi aí que eu olhei pra mim. É curioso que é tão difícil que isso aconteça que a gente se lembra exatamente do momento que consegue se enxergar. Todas as minhas escolhas, antes dali, tinham sido feitas por elas. Eu tinha pensado no bem estar de todo mundo, menos no meu. Por isso, estava tão infeliz.

Claro que não foi do dia pra noite que a minha vida mudou, nem num passe de mágicas, mas foi fundamental reconhecer que não estava bom, pra poder entender o que, de fato, eu procurava.

Por isso, hoje, quando vejo uma foto nas redes sociais, sei que aquilo é só um momento. Aquela é só uma foto. Por trás de uma bela foto, tem muita história – às vezes triste – pra contar.

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